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sábado, 7 de maio de 2022

 Passei à frente em me enganar

Que o jogo da memória refazendo

Edifícios, descalabros, teorias,

passaportes, mudanças climáticas e o dia teu

fosse algo diferente de olhar para a neblina

e imaginar o que embaixo há

 

Uma memória sob a forma de espanador

Uma cuíca rascando o ar no inverno

Qualquer coisa sendo outra qual

(fosse a primeira totalmente divergente)

Ainda assim a novidade não penetra na matéria.

 

Toda a alma em cada coisa

que fosse seu campo e glória

— Qual presente na caverna de Platão —

Nos faz imaginar que sob a neblina

Reside certa esperança.

 

Mas tal como a porta que abre

E mostra um jardim em flor

Um dia que seja anúncio

Ou uma emenda com amor

A água em suspenso avisa

Que a sede de avanço acabou.