Passei à frente em me enganar
Que o jogo da memória refazendo
Edifícios, descalabros, teorias,
passaportes, mudanças climáticas e o dia teu
fosse algo diferente de olhar para a neblina
e imaginar o que embaixo há
Uma memória sob a forma de espanador
Uma cuíca rascando o ar no inverno
Qualquer coisa sendo outra qual
(fosse a primeira totalmente divergente)
Ainda assim a novidade não penetra na matéria.
Toda a alma em cada coisa
que fosse seu campo e glória
— Qual presente na caverna de Platão —
Nos faz imaginar que sob a neblina
Reside certa esperança.
Mas tal como a porta que abre
E mostra um jardim em flor
Um dia que seja anúncio
Ou uma emenda com amor
A água em suspenso avisa
Que a sede de avanço acabou.

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